A tristeza nossa “naqueles dias”

Um belo dia você acorda com uma tristeza profunda, uma sensação ruim que sufoca o peito, como se fosse receber notícia de morte. Começa a pensar se é algum mau agouro, intuição ou se existe um motivo real para a vinda de todos aqueles sentimentos: mau-humor, irritabilidade, sensibilidade, uma onda de pessimismo, falta de paciência, de ânimo e de disposição, sem falar na vontade louca por doces, que parece ser o antídoto para aliviar todos os problemas. Ao conferir o calendário, observa que a menstruação está para chegar em alguns dias, se dá conta de que o corpo está mais inchado e entende exatamente o porquê de tudo aquilo.

A temida tensão pré-menstrual (TPM) – também chamada de síndrome pré-menstrual (SPM) – é um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, além de alterações hormonais, que aparecem entre 10 e 14 dias antes da menstruação e que geralmente somem com o início do fluxo menstrual. A SPM pode ser dividida em quatro grupos:

  • A – onde se predomina ansiedade, irritabilidade ou tensão nervosa;
  • H –  predominância de edema (inchaço), dores abdominais, mastalgia (dores na mamas) e ganho temporário de peso;
  • C – com cefaleia (dor de cabeça), podendo ser acompanhada por aumento de apetite, desejo por doces, fadiga, palpitação e tremores;
  • D – quando o quadro depressivo é preponderante, com insônia, choro fácil, esquecimento e confusão mental.

Um estudo feito pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revelou que 80% das brasileiras que menstruam já experimentaram o desconforto do período e que passam, pelo menos, três meses do ano com TPM (sete dias em cada mês, soma 84 anualmente). A pesquisa ainda revelou que 78% sentem dores e apresentam inchaços, 70% sofrem com cólicas e 66% têm dores de cabeça. Cerca de 5% das mulheres teriam suas vidas impactadas de forma significativa pelo problema, como  baixa produtividade no trabalho.

Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM): quando a TPM vem com força total

A forma mais severa de síndrome pré-menstrual são denominadas de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Para diagnosticar a TDPM, deve-se encontrar pelo menos cinco de 11 sintomas abaixo presentes no período pré-menstrual, que cessam quando menstruação chega:

  1. Humor deprimido, sentimentos de falta de esperança ou pensamentos autodepreciativos;
  2. Ansiedade acentuada, tensão, sentimentos de estar com os “nervos à flor da pele”;
  3. Significativa instabilidade afetiva;
  4. Raiva ou irritabilidade persistente e conflitos interpessoais aumentados;
  5. Interesse diminuído pelas atividades habituais;
  6. Dificuldade em se concentrar;
  7. Letargia, fadiga fácil ou acentuada falta de energia;
  8. Alteração acentuada do apetite (excessos alimentares ou anorexia);
  9. Hipersonia (sonolência excessiva) ou insônia;
  10. Sentimentos subjetivos de descontrole emocional;
  11. Outros sintomas físicos, como a retenção hídrica e outras manifestações como a enxaqueca, aumento da secreção vaginal, dores vagas generalizadas, diarreia, constipação, sudorese, acne, herpes, crises asmáticas, aumento de peso temporário, dores lombares e ciáticas, distúrbios alérgicos, crises cíclicas de hipertrofia da tiroide, aerofagia (deglutição excessiva de ar), estados hipoglicêmicos e crises convulsivas.

Muitas mulheres com SPM e/ou TDPM não sabem precisar a época de início de seus sintomas, que podem surgir desde o menacme (período de atividade menstrual/ período fértil) até a menopausa. Ainda não se sabe se os sintomas estabilizam ou aumentam de intensidade com a idade.

Existe tratamento para a TPM?

Primeiro é preciso entender o processo pelo qual a mulher está passando e, conforme os sinais e sintomas predominantes, tomar algumas medidas que podem aliviar os quadros mais leves, como praticar atividade física ou algum esporte e atividades relaxantes, além de ter repouso suficiente, uma alimentação leve e variada, com menor ingestão de sódio e água, para reduzir a retenção de líquidos e o inchaço. Alguns alimentos são apontados como causadores dos sintomas, como chocolate, cafeína e álcool. As deficiências de vitamina B6 e de magnésio também são consideradas.

Os anticoncepcionais orais à base de etinilestradiol e drospirenona costumam ser prescritos por ginecologistas para tratamento da SPM. Medicamentos (de uso contínuo ou intermitente), como ansiolíticos  e antidepressivo inibidores de serotonina e noradrenalina (que regulam o sono e o humor, por exemplo), podem auxiliar com relação à redução da irritabilidade e instabilidade emocional. Analgésicos e anti-inflamatórios também podem ser necessários. Somente um médico poderá fazer a avaliação necessária e indicar os medicamentos mais apropriados.

Fonte:
  • Portal de Revistas Científicas em Ciências da Saúde
  • Revista da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Femina)
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
* As informações sobre saúde contidas neste blog não pretendem substituir, de forma alguma, as orientações médicas.
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2 comentários em “A tristeza nossa “naqueles dias”

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